Jeanine Pacholski
Foto: Alex Battistel

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Anualmente, milhares de contribuintes de Caxias do Sul acertam as contas com o Leão. Em meio a dúvidas e prazos, pouca gente sabe que parte do valor pago à União poderia ter um destino muito mais próximo e transformador.

 

A legislação possibilita direcionar, no mês de dezembro, até 6% do Imposto de Renda (IR) devido ou até 3% diretamente na declaração a fundos de amparo à infância, à adolescência e à pessoa idosa. Na prática, o montante pode ser destinado a ações que atuam diretamente na comunidade, com impacto concreto na vida de quem mais precisa.

 

A adesão, porém, ainda é baixa. O resultado é uma perda silenciosa: recursos que poderiam fortalecer projetos nos municípios acabam no caixa geral, sem vínculo com a realidade local. Segundo o Grupo de Trabalho por Caxias (GTC), o município deixa de arrecadar R$ 37 milhões por ano para iniciativas sociais por meio da destinação do IR.

 

E não se trata de um detalhe pequeno. Para muitas organizações, esses valores representam a diferença entre manter ou encerrar atividades, ampliar ou restringir atendimentos. São programas que, muitas vezes, suprem lacunas que o poder público não consegue preencher sozinho e que dependem diretamente desse tipo de recurso.

 

Há um paradoxo evidente. De um lado, um município reconhecido pela sua força econômica. De outro, um mecanismo simples, legal e sem custo adicional ainda pouco utilizado. Falta informação, mas também percepção de impacto e senso de pertencimento.

 

Direcionar parte do Imposto de Renda não é uma doação tradicional, pois não há gasto extra. Trata-se de escolher o caminho de um recurso que já seria pago. Ou seja, é um ato que transforma compromisso fiscal em cidadania e desenvolvimento social.

 

Diante do debate sobre o uso eficiente de recursos públicos, essa é uma rara oportunidade de participação direta. A população deixa de ser espectadora e passa a influenciar o destino do dinheiro.

 

Caxias do Sul e seus contribuintes têm potencial para fazer mais. Há projetos e há demanda social, falta apenas conectar esses pontos. Afinal, não se trata apenas de pagar imposto, mas de decidir como ele pode ser efetivamente utilizado.

 

 

Artigo de opinião publicado por Jeanine Pacholski, coordenadora de responsabilidade social do IER e vice-presidente da Parceiros Voluntários Caxias do Sul

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